terça-feira, 17 de março de 2020

Monte Belo do Sul



Marcos - BMW R 1250 GS HP Adventure.
Humberto – Triumph Tiger Explorer 1200 XCA.

Saímos de Porto Alegre no sábado, dia 14 de março de 2020, em torno das 10 horas da manhã em direção à cidade de Monte Belo do Sul, na serra gaúcha.
Nosso roteiro iniciou pela BR 116 em direção norte por cerca de 30 Km até a localidade de Scharlau, no município de São Leopoldo. Neste ponto se acessa a RS 240 à esquerda da via, cruzando sob o viaduto da BR 116, percorrendo mais 13 Km até a ERS 122 já no município de Portão, onde se continua por mais 38 Km até a ERS 446, em São Vendelino, mais 16 Km até a BR 470 e mais 11 Km até o acesso à ERS 444 à esquerda da via. Por esta rodovia se percorre mais 16 Km até a pequena cidade de Monte Belo do Sul. Nosso GPS nos indicou um caminho equivocado, nos conduzindo ao interior do município de Bento Gonçalves. Mesmo fora da rota, a localidade onde paramos é bastante bela, com arquitetura típica italiana, o que fez valer à pena termos nos perdidos.  Após obtermos informação do caminho correto, retornamos à BR 470 até chegarmos na ERS 444.
Neste último trajeto de 16 Km se passa pelo Vale dos Vinhedos, onde se pode observar diversas vinícolas inseridas em uma paisagem deslumbrante da serra gaúcha.  O Vale dos Vinhedos ocupa uma área triangular de 82 m2 entre os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul. Os vinhos ali produzidos são os únicos no Brasil que apresentam Indicação de Procedência e Denominação de Origem, o que lhes confere garantia de qualidade. Dentre as muitas vinícolas, se destacam a Dom Laurindo, Miolo, Cave de Pedra, Larentis, Casa Valduga, dentre outras. A gastronomia italiana predomina com diversos restaurantes ao longo da rodovia. Ali também existem hotéis para quem deseja ficar hospedado no local, como o Spa do Vinho e o Vila Michelon, dentre outros. A ERS 444 é a principal via do Vale dos Vinhedos, inciando na BR 470 e terminando na localidade de Santa Tereza, com um total de 29 Km.
Chegamos na pequena cidade de Monte Belo do Sul em torno do meio-dia, quando fomos buscar um local para almoçarmos. Nos foi indicado o Ristorante Nonna Metilde, localizado na rua Sagrada Família, no centro da cidade. O local já se destaca pelo visual na chegada com uma grande pipa de vinho onde, em seu interior, está o ambiente de entrada do restaurante. O local é bastante acolhedor, com um atendimento muito simpático e atencioso. A comida, típica italiana, é sensacional e com duas opções de serviços a preço bastante justo.
Monte Belo do Sul é uma pequena cidade da serra gaúcha em uma altitude de 618 metros acima do nível do mar e com uma população aproximada de 2700 habitantes. Mantém o Gemellaggio, termo de convênio cultural, social e econômico com a cidade italiana de Schiavon, província de Vicenza.
A colonização se deu em 1877 por imigrantes italianos. Em 1890, com a emancipação do município de Bento Gonçalves, a então localidade de Linha Zamith passou a ser seu segundo maior distrito, vindo a se chamar Montebello em 1932, em alusão à batalha de Montebello, na Itália. Em 1945 teve seu nome modificado para Caturetã, que na língua indígena significa Povoado Bonito e em 1949 mais uma vez teve seu nome modificado, passando a se chamar Monte Bello. A emancipação se deu em 1992 recebendo, então, a atual denominação de Monte Belo do Sul.
O apelo religioso é muito grande no município, com sua divisão geográfica separada em linhas com suas respectivas capelas. Na sede está a Igreja Matriz São Francisco de Assis que leva o nome do santo padroeiro do município, localizada na praça central. A igreja, inaugurada em 1965, pode ser avistada de longe por suas torres com 65 metros de altura. Nelas estão seus três sinos trazidos de Padova no ano de 1920 e que tocam a cada 15 minutos durante as 24 horas do dia. O som por eles emitidos servem como orientação para os agricultores locais quando em suas atividades diárias no campo.
A principal fonte econômica de Monte Belo do Sul é a agricultura, com predomínio da viticultura. Uma pequena parte de sua economia fica dividida entre indústria, comércio e serviços. A Associação dos Vitivinicultores de Monte Belo do Sul conta com 12 produtores de uvas e vinhos, oferecendo produtos de qualidade elevada, sendo considerado município com maior produção de uvas per capita da América Latina.
Saindo do restaurante fomos procurar a Tanoaria Mesacaza, a qual produz barris para armazenamento de vinhos e cachaças. A fábrica fica bastante próxima ao restaurante, na rua Dom Luis Colussi, não sendo difícil localizá-la, porém tivemos o azar de a encontrarmos fechada. Seguimos em frente até a praça da cidade para umas fotografias em frente à igreja. Ali parados resolvemos telefonar para a Mesacaza na tentativa improvável de sermos atendidos. Para nossa surpresa fomos recebidos pelo Mauro que nos levou a uma visita à fábrica, além de nos contar muito a respeito da história da Tanoaria Mesacaza e da produção dos barris. A fabricação dos barris iniciou no ano de 1960 com o Sr. Miguel Mesacaza, avô do Mauro. No ano de 1981 o Sr. Eugênio Mezacasa, filho do fundador e pai do nosso anfitrião, registrou a empresa em seu nome levando a uma grande expansão de sua produção, inclusive criando tecnologia própria. Hoje a Mesacaza produz e exporta seus barris para França, Escócia, Irlanda e Estados Unidos, assim como para empresas nacionais de bebidas. Além dos barris, ali são fabricados tinas e baldes de madeira.
Após a vista à Tanoaria Mezacasa iniciamos nosso retorno para Porto Alegre pela mesma rodovia ERS 444, passando pelo Vale dos Vinhedos. No caminho paramos para conhecer a Vinícola Cave de Pedra, uma construção em pedra imitando um castelo medieval. O lugar é bastante bonito, porém com um atendimento um pouco impessoal e distante, quase tão frio quanto as pedras que compõem as paredes do castelo. Como estávamos de moto, não foi possível fazermos a visita guiada com degustação de vinhos.
Seguindo pelo Vale dos Vinhedos paramos para conhecer a Vinícola Miolo. O lugar é espetacular, com uma grande área de convivência nos jardins além de uma loja com seus vinhos e espumantes à venda, assim como outros produtos com referência à cultura vinícola.
Após a visitação à Vinícola Miolo, seguimos de volta para Porto Alegre pelo mesmo caminho que percorremos para irmos até Monte Belo do Sul. Chegamos em casa em torno das 19h40min, com exatos 302 Km rodados.
Esta foi minha primeira viagem com a motocicleta BMW R 1250 GS HP Adventure. A moto é bastante confortável, com uma ciclística fantástica, muito bem equilibrada e transmite uma sensação de segurança diferenciada. Excelente resposta nas retomadas assim como uma frenagem surpreendente. Ainda é muito cedo para ter uma opinião mais definitiva, pois a moto tem apenas 457 Km rodados sendo esta sua primeira viagem e em um trajeto bastante pequeno. Inicialmente impressões são as melhores possíveis.

Dados do computador de bordo:
Início: 9h04min.
Chegada: 19h43min.
Condução: 5h28min.
Pausa: 5h10min.
Distância percorrida: 302 Km.
Geral: 457 Km.
Velocidade média: 68 Km/h.
Consumo: 18,8 Km/l.



Interior de Bento Gonçalves

Monte Belo do Sul

Ristorante Nonna Metilde

Ristorante Nonna Metilde

Monte Belo do Sul - Praça Central

Monte Belo do Sul - Matriz São Francisco de Assis

Monte Belo do Sul

Monte Belo do Sul - Tanoaria Mesacaza

Monte Belo do Sul - Tanoaria Mesacaza

Monte Belo do Sul - Tanoaria Mesacaza

Monte Belo do Sul

Vinícola Cave de Pedra

Vinícola Miolo

Vinícola Miolo

Vinícola Miolo

Rota






Rota Google Maps:







segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Santa Maria do Herval




Sábado, 18 de janeiro de 2020.
Oito dos membros da facção Porto Alegre do Moto Clube Bodes do Asfalto saíram em direção à cidade de Santa Maria do Herval, na serra gaúcha. Estavam presentes Eduardo e esposa (Triumph Boneville T120), Becker (Suzuki VStrom DL 650), Paulo (BMW GS 650), Santiago (Suzuki VStrom DL 650), Anor e esposa (Suzuki VStrom DL 650), Fábio (Suzuki VStrom DL 1000), Palmeiro e esposa em carro de apoio levando nosso almoço e eu na minha Triumph Tiger Explorer 1200 XCX. Apesar de eu não gostar de andar com carro de apoio, sou obrigado a reconhecer que se torna um passeio bastante confortável.
Nosso ponto de encontro foi no posto de combustíveis Laçador, localizado sob o viaduto Leonel Brizola, na saída de Porto Alegre junto à Avenida dos Estados e à BR 116. Saímos de Porto Alegre em torno das 10 horas da manhã, pela BR 116 em direção à serra gaúcha, percorrendo 58 Km até o entroncamento com a VRS 873, no município de Morro Reuter, onde se acessa à direita da via. Por essa rodovia se percorre aproximadamente 13 Km até chegarmos em Santa Maria do Herval. Todo o trajeto se dá por rodovias asfaltadas e de boa qualidade, sendo agraciados com uma paisagem belíssima em todo percurso.
Chegando na cidade de Santa Maria do Herval paramos em um posto de combustíveis para colhermos informações sobre os locais que planejávamos visitar. O primeiro deles foi um lugar chamado Caverna dos Bugres. Seguimos cerca de 900 metros após o posto de combustíveis até encontrarmos uma estrada sem pavimentação à direita da via onde existe uma placa sinalizando o caminho. Seguimos mais cerca de 500 metros até a entrada do parque Caverna dos Bugres. Lá não existe qualquer infraestrutura, exceto por um caminho demarcado que leva até uma cachoeira e a uma caverna que outrora era usada como moradia pelos índios Caigangues. O lugar é muito bonito e preservado. Nosso projeto de ali almoçarmos, fazendo um churrasco, foi abortado devido à proibição de se fazer fogo na área do parque. Optamos, então, utilizarmos o Balneário da Amizade para nos instalarmos e passarmos o dia.
Para chegarmos até o Balneário da Amizade se retorna cerca de 400 metros pela avenida principal da cidade a partir do ponto de acesso à Caverna dos Bugres (ou cerca de 500 metros após o posto de combustíveis onde buscamos informações) e se acessa a rua Benin Closs por onde se percorre mais 2 Km até o acesso ao balneário, à esquerda da via. O lugar é bastante simples, com uma área verde belíssima às margens do rio Cadeia. A entrada no local custa R$ 10,00 por pessoa ou, caso se opte por utilizarmos alguma das churrasqueiras ali disponíveis, o valor fica R$ 25,00 independente do número de pessoas, desde que consuma as bebidas disponibilizadas no bar local. Uma das churrasqueiras está sob um quiosque de alvenaria o qual disponibiliza sanitários. Ali fizemos um delicioso churrasco, confraternizando entre amigos.
O rio Cadeias, de águas geladas e correntes, proporciona um banho revigorante, refrescando nosso corpo no calor do verão gaúcho e energizando nosso espírito. Assim foi a tarde daquele sábado, quando as horas passaram ser percebidas entre churrasco, conversas, banho de rio e comunhão com a natureza.
Santa Maria do Herval é um pequeno município da serra gaúcha, com uma população de 6315 habitantes (IBGE 2018), estando a uma altitude de 371 m acima do nível do mar. A formação do município se deu a partir de loteamentos de imigrantes alemães oriundos das colônias de São Leopoldo, sendo que os primeiros ali chegaram em 1827, porém com intensificação desta colonização se dando em 1846, a partir da Revolução Farroupilha. Em 1912 se tornou 8º Distrito de São Leopoldo com a sede em Boa Vista do Herval. Em 1950 a sede do 8º distrito foi transferida para onde hoje é a sede do município. Com a emancipação de Dois Irmãos do município de São Leopoldo no ano de 1958, o então distrito passou a pertencer ao novo município assim permanecendo até 1988 quando este se emancipa de Dois Irmãos, adquirindo a autonomia como Santa Maria do Herval. A gastronomia alemã enche de sabores a culinária local. A cultura germânica é preservada no município com cerca de 90% da população falando o dialeto oriundo da região alemã de Hunsrück, de onde vieram os imigrantes, a qual é incentivado pelo município para que o vínculo com suas origens na Europa não se perca. A arquitetura de Santa Maria do Herval também é típica alemã, com construções no estilo enxaimel. A economia é baseada na agricultura, criação de frangos e gado, além da indústria calçadista, comércio e prestação de serviços e um frigorífico. O turismo ecológico e de aventura são bastante explorados devido sua privilegiada localização em meio a vales e colinas, com matas, rios e cascatas. A Festa da Batata ou Kartoffelfest é o principal evento do município, sempre ocorrendo no mês de maio. A cidade é chamada por seus moradores de Teewald, que no seu dialeto significa Herval. O nome da cidade é uma homenagem à Santa Maria que é a padroeira de primeira igreja ali construída, a Igreja Nossa Senhora Auxiliadora. Já a denominação Herval é decorrente da grande quantidade de ervais presentes na região.
No final da tarde iniciamos nosso retorno para Porto Alegre. No caminho de volta, ainda pela VRS 873, passamos por uma localidade chamada São José do Herval a qual é distrito de Morro Reuter. Ali tem um pequeno comércio, algumas residências e uma igreja, com uma marca bastante acentuada da colonização alemã.
Já na BR 116, retornando para Porto Alegre, paramos no restaurante Casa da Vovó, localizado no Km 222 da rodovia, no município de Dois Irmãos. A grande quantidade de produtos típicos alemães e o sabor são os pontos altos do lugar. Após mais algum tempo de confraternização retomamos nosso caminho de volta para casa.
Cheguei em casa em torno das 19h20min, com um total de 192,2 Km percorridos durante o dia.
Um passeio como esse que fizemos à Santa Maria do Herval tem um significado muito especial. A convivência entre todos, compartilhando cada quilômetro, faz com que sejamos brindados com a energia de cada um que ali está, estreitando cada vez mais os laços que nos unem como verdadeiros irmãos.

Dados de pilotagem:
#Motocicleta Triumph Tiger Explorer XCX
#Percurso: 192,2 Km.
#Tempo de pilotagem: 3h39min.
#Velocidade média: 52,5 Km/h.
#Consumo de gasolina: 17,8 Km/l.

Esta foi minha última viagem com a Triumph Explorer 1200 XCX. Foram apenas 11.840 Km rodados em 1 ano e 9 meses. Ficaram as recordações das viagens, menos do que gostaríamos, mas sempre muito significativas. 

Saída de Porto Alegre


Santa Maria do Herval

Santa Maria do Herval

Santa Maria do Herval - acesso à Caverna dos Bugres

Santa Maria do Herval - acesso à Caverna dos Bugres


Santa Maria do Herval -  Caverna dos Bugres

Santa Maria do Herval -  Caverna dos Bugres

Santa Maria do Herval -  Caverna dos Bugres

Santa Maria do Herval -  Caverna dos Bugres
Mais um teste das botas Steitz Austral Pró: pés secos.

Santa Maria do Herval -  Caverna dos Bugres

Santa Maria do Herval -  Caverna dos Bugres

Santa Maria do Herval -  Caverna dos Bugres
Santa Maria do Herval -  Balneário da Amizade

Santa Maria do Herval -  Balneário da Amizade

Santa Maria do Herval -  Balneário da Amizade

Santa Maria do Herval -  Balneário da Amizade

Santa Maria do Herval -  Balneário da Amizade

Santa Maria do Herval -  Balneário da Amizade

VRS 873


São José do Herval


São José do Herval

São José do Herval

São José do Herval

Rota