terça-feira, 14 de abril de 2015

Rota das Charqueadas – Pelotas

Sexta-feira, dia 3 de abril de 2015.
Saída de Porto Alegre às 8:43 horas, desta vez só. Apenas eu e minha NC 700 X. Saí pela ponte sobre o lago Guaíba em direção sul, acessando a BR 290 e a BR 116, com destino à Pelotas, pelo mesmo trajeto já descrito na postagem sobre o 18º Moto Lagoa. Desta vez minha primeira parada foi no Paradouro Coqueiro, no Km 453 da BR 116, no município de São Lourenço do Sul, a cerca de 184 Km de Porto Alegre. Por se tartar de uma sexta-feira Santa, primeiro dia do feriadão de Páscoa, a estrada estava muito movimentada. Cheguei em Pelotas no final da manhã, com exatos 261,7 Km rodados.
Durante a tarde apenas descansei e, à noite, acompanhado da amiga e colega Andréa,  fui ao restaurante Madre Mia, um local fantástico e que reúne arte e gastronomia relacionados à cultura hispânica. O atendimento é espetacular e vale à pena as cervejas diversas. Caso deseje experimentar um pouco de cada cerveja, a dica é pedir um combo, que vem com três copos com diferentes tipos de cerveja a sua escolha, por R$ 25,00.
No dia seguinte, 04 de abril, à tarde, fui fazer a rota das charqueadas. Para se chegar lá segui pela Av. Bento Gonçalves até a Av. Ferreira Viana dobrando à esquerda na Av. São Francisco de Paula e, à direita na Av. Domingos de Almeida, seguindo até o fim onde a sinalização nos facilita muito a chegada.


Trajeto em Pelotas até a Rota das Charqueadas















As charqueadas eram fazendas produtoras de charque, uma forma de conservar a carne do gado com sal. No século XVIII, com a expulsão dos espanhóis que viviam no sul do Brasil, ficaram por estas terras um grande número de cabeças de gado que, com a intensa procriação, formaram um grande rebanho selvagem. Nesta mesma época, a conservação da carne com sal era exclusividade do nordeste do Brasil porém, com a seca no nordeste, grande parte do rebanho bovino de lá foi perdido. No ano de 1777, o português José Pinto Martins, morador do Ceará, sabedor deste grande rebanho bovino existente no sul do país, resolve ali se instalar chegando, inicialmente, na atual cidade do Rio Grande, litoral sul do Rio Grande do Sul. Devido ao constante e intenso vento da região associado à areia da praia, a produção do charque se tornou inviável, o que fez com que ele procurasse um local onde não houvesse aquelas condições climáticas e, ao mesmo tempo, fosse possível o escoamento da produção do charque para o resto do país. Estas condições encontrou na Freguesia de São Francisco de Paula, às margens do arroio Pelotas, hoje cidade de Pelotas. Ali instalou a primeira charqueada da região. O arroio Pelotas se liga ao canal São Gonçalo, que faz a união entre a Lagoa dos Patos e a Lagoa Mirim. A Lagoa dos Patos desemboca no Oceano Atlântico, na barra do Rio Grande, no municípo do mesmo nome. Por ali era escoada a produção do charque de Pelotas para o restante do Brasil.
Nas charqueadas o gado era abatido através de uma marretada na cabeça e sangrado em um local específico. O sangue, por sua vez, era escoado para o arroio Pelotas onde também eram depositados os restos não aproveitados  destes animais abatidos. Por este motivo, o arroio Pelotas também ficou conhecido como Rio Vermelho. A melhor carne era consumida pelos fazendeiros e a  carne menos nobre era transformada em charque e vendida para o resto do Brasil. Para os escravos sobrava apenas o que não era aproveitado nem para o charque. Destes restos do gado, surgiu o prato que conhecemos como mocotó, que era feito com restos de intestinos, estômago e patas de vaca, sendo bastante calórico para o uso dos escravos e, logicamente, sem os condimentos e especiarias hoje utilizados no mocotó que conhecemos.
Devido ao mau cheiro no local e às condições insalubres, os fazendeiros levavam seu familiares para morarem longe da sede das charqueadas, o que fez surgir um povoado que veio a ser a cidade de Pelotas. A distância do centro da cidade até às charqueadas é de cerca de 7 Km.
Os escravos que trabalhavam nas charqueadas tinham uma vida média de 5 a 7 anos pois, além de serem submetidos a uma jornada extenuante de trabalho de 20 horas por dia, também eram mal alimentados. Os mais fortes e que sabiam nadar, eram responsáveis por levar o charque através do arroio Pelotas às outras charqueadas, em embarcações que eram puxadas por uma corda presa à boca do escravo e levadas a nado. Estas embarcações, de origem indígena cuja existência era anterior às charqueadas, por terem o formato arredondado como uma bola, foram denomiadas pelota pelos espanhóis e, devido ao grande número delas nesta região, foi originado o nome da cidade de Pelotas. O trabalho nas charquedas era considerado o pior que poderia ser ofertado a um escravo. Era como uma punição.
O período de produção do charque era de novembro a abril e, no restante do ano, os escravos trabalhavam nas olarias, produzindo telhas e tijolos. As telhas eram de barro e moldadas nas coxas dos escravos, fazendo com que tenham formatos diferentes entre si, o que pode ser observado nas construções ali ainda existentes. Desta forma de confeccionar telhas é que surge a expressão “feito nas coxas”, quando nos referimos a algo mal feito.
O auge da produção do charque se deu no século XIX, com um total de 40 charqueadas produzindo o charque. A intensa produção fez com que os donos das charqueadas acumulassem grande fortuna, permitindo enviar seus filhos para estudar na Europa. Estes, ao retornarem à Pelotas, eram feitas recepções onde os jovens eram reapresentados à sociedade. O fato de retornarem com hábitos europeus refinados fez com que Pelotas seja conhecida nacionalmente de forma pejorativa até os dias de hoje.
Com a abolição da escravidão os escravos sairam das charqueadas e a mão de obra se tornou cada vez mais rara, fazendo com que esta atividade desaparecesse. Aliado a isto, surgiram novos processos de conservação da carne.
Das poucas charqueadas que permanecem até os dias de hoje, apenas duas são abertas à visitação com um maior cunho turístico. São elas a Charqueada Santa Rita e a Charqueada São João, situadas uma ao lado da outra, as quais escolhi para visitar. As construções ali existentes são em estilo colonial e nos remetem ao século XIX, proporcionando uma viagem no tempo. Outra opção de conhecer a rota das charqueadas é através de um passeio de barco pelo arroio Pelotas.
A primeira charqueada que visitei foi a Santa Rita, construída em 1826. Era de propriedade de Inácio Rodrigues Barcellos e contava com 30 escravos. A visita guiada sai por R$ 15,00. A casa principal não pode ser visitada, pois os proprietários ali residem. Mesmo assim, o passeio é muito legal. Nesta charqueada existe uma pousada construída no local onde viviam as escravas. Nos fundos da casa principal existe um salão de festas utilizado hoje para eventos. No século XIX era o local onde a carne era salgada e, ainda hoje, existe uma grande concentração de sal no solo do local, com seu efeito notado pelo desgaste do piso e pela parte baixa das portas, bastante danificadas. O local onde era a senzala foi destruído e soterrado. Foi nesta charqueada que se instalou a primeira fábrica de enlatados de carne, popularmente chamada de Fábrica de Línguas. Esta atividade fez com que a charqueada Santa Rita se mantivesse produtiva durante a decadência do ciclo do charque. Na Charqueada Santa Rita foi gravado o filme Concerto Campestre, lançado em 2005.


Casa principal



















Pelota


Porta do século XVIII, com as marcas da Charqueada Santa Rita

Saindo da charqueada Santa Rita fui até a charqueada São João, localizada ao lado da primeira. A visita guiada sai por R$ 20,00 por pessoa e nossa guia foi a senhora Eva, que domina com muita propriedade a história do local. Nesta se pode conhecer a casa principal, que está preparada para para que se possa tomar conhecimento do que ocorria na época do auge de sua produção. Esta visita é bem mais demorada e detalhada do que na Santa Rita, mesmo assim não tirando o valor da visita à primeira charqueada. A Charqueada São João, construída em 1810,  era de propriedade de Antônio José Gonçalves Chaves. A residência, em estilo colonial, é térrea e com um pátio interno. Ali vivia o proprietário com sua esposa e filhas. O pátio interno somente poderia ser utilizado pelas mulheres à noite, pois o sol tiraria a cor branca de sua pele, que era sinônimo de beleza da época. A casa foi construída com diversos cômodos com diversas aberturas que os comunicam entre si. A intenção deste tipo de construção era para confundir possíveis invasores, facilitando a fuga dos moradores. Ainda se pode observar um grande armário embutido em uma das paredes de uma das salas, incomum para a época, e que serve de rota de fuga para um sótão, sendo as prateleiras utilizadas como degraus para que, em caso de invasão, as mulheres e crianças tivessem a possibilidade de por ali fugirem.


Charqueada São João com Arroio Pelotas ao fundo



Pátio interno da Charqueada São João
Na Charqueada São João existe uma grande figueira com idade presumida de 500 anos, cujas raízes já passaram sob a casa, sendo encontradas no lado oposto da construção. Em sua última mensuração constou um diâmetro de 40 metros na copa.



Vista a partir de um dos cômodos


Grande figueira e parte da frente da casa principal da Charqueada São João
Gonçalves Chaves era conhecido como um homem extremamente culto e com domínio de diversos idiomas. Como maçon, construiu uma pequena gruta com a imagem de São João Batista, patrono da maçonaria. Nesta ele fazia com que os escravos rezassem, com a intenção de lhes converter ao catolicismo. Com o tempo se descobriu que sob conchas que faziam parte da construção, existiam pequenas imagem que poderiam ser os Orixás do Candomblé, religião proferida pelos escravos. Enquanto ali estavam aparentemente rezando ao santo católico, na verdade estavam em devoção aos seus Orixás. Também se pode observar ao redor do tronco da grande figueira e ao redor do tronco de outras árvores, construções em formato de estrela, em alusão ao pentagrama como um dos  símbolo da maçonaria.
Gruta a São João

Pentagrama
Em ambas charqueadas visitadas, se pode observar portas do século XVIII, onde estão gravadas as marcas destas propriedades. Eram sinais feitas com ferro em brasa que eram marcados no gado e nos escravos, para a identificacão de posse.
A Charqueada São João ficou nacionalmente conhecida por ali ter sido gravado as miniséries A Casa das Sete Mulheres e O Tempo e o Vento, da Rede Globo.
Saindo da Charqueada Santa Rita percebi que o suporte do baú da minha moto estava frouxo. Deixei para resolver após a visita às duas charqueadas. Ao sair da São João procurei uma oficina de motos que pudesse me ajudar a refazer a fixação. Retornando pela Av. Domingos de Almeida encontrei uma oficina e loja de artigos de motociclismo chamada PIT  STOP (Av. Domingos de Almeida, 277 – Areal – Pelotas), de propriedade do Carlos Müller. A loja é atendida pela esposa dele. Ao chegar lá ele estava à frente do estabelecimento fazendo um conserto. Largou seu afazer para me atender. Constatou que houve deformidade das placas de fixação do suporte do baú Givi, perdendo a estabilidade. Fez uma nova fixação do suporte ao bagageiro, com muito cuidado e capricho. O Carlos é uma cara que, em um primeiro contato, já se percebe a dedicação e atenção. Uma oficina pequena e muito organizada. Em  uma próxima viagem de moto à Pelotas sei onde me socorrer em caso de necessidade. O telefone dele, para quem desejar, é (53)3228.7820 e (53)3228.0935.
Domingo de Páscoa, dia 05 de abril. Após um maravilhoso almoço em família, saí de Pelotas em direção à Santa Maria, às 15:20 horas. O trajeto foi pela BR 392, por uma distância de cerca de 300 Km.
A estrada passa pelos municípios de Morro Redondo, Canguçu, Santana da Boa Vista, Caçapava do Sul e São Sepé, antes de chegar em Santa Maria. É muito boa, com alguns poucos trechos com curvas muito legais. Peguei um pouco de chuva no primeiro terço da viagem, o que me obrigou a parar para colocar roupa de chuva. Uma breve parada para reabastecer a moto com um pouco mais de 200 Km rodados. Próximo à Santa Maria, a chuva reiniciou com mais intensidade. Para piorar, o movimento de carros na chegada à cidade era bastante grande. Cheguei no hotel em torno das 19 horas.
Permaneci em Santa Maria na segunda e na terça-feira, onde tenho atividade profissional. Aproveitei para trocar os pneus da  moto, pois já a NC está com 16.000 Km, ainda com os pneus originais, já apresentando um desgaste natural. Acho que ainda duarariam mais uns dois ou três mil quilômetros, mas achei melhor realizar agora. Troquei por um Michelin Pilot Road 2 na Bella Motos, no bairro Camobi, no Km 234 da ERS 287. A loja é especializada em motocicletas, tendo junto uma oficina. Lá existem diversos acessórios para motos e motociclistas. O atendimento é feito pelos proprietários (família Barachini)e por funcionárias extremamente simpáticas e atenciosas. O filho do proprietário é um cara chamado Giancarlo e que entende muito do assunto. Sem falar que é muito atencioso e sempre disposto a ajudar seus clientes. A Bella Motos é uma loja de extrema confiaça e que, sem dúvida, recomendo.
Saí de Santa Maria em torno das 18:45 h de terça-feira, dia 07, pela ERS 287. No caminho parei para um lanche em um local chamado Produtos Coloniais da Terra, a cerca de 48 Km do bairro Camobi, no Km 185 da ERS 287, no município de Agudo. O lugar é muito agradável e com produtos muito bons. Lá se pode comer muito bem e por um preço bem acessível, além de oferecer diversos produtos coloniais à venda. O atendimento é feito por três moças muito simpáticas e atenciosas. É um local que vale à pena parar. Pela ERS 287 rodei por cerca de 216 Km  até a localidade de Tabaí. Esta rodovia tem duas praças de pedágio, os quais são isentos para motos. Mesmo sendo uma estrada pedageada, as condições deixam muito a desejar. Tem vários trechos em mau estado de conservação, com desníveis, sem sinalização no asfalto e consertos muito rudimentares e não terminados. Neste trajeto entre Santa Maria e Tabaí, existem 13 pardais e duas lombadas eletrônicas, o que requer muita atenção com a velocidade. Em Tabaí, segui pela BR 386 por mais 54 Km até a BR 448 (Rodovia do Parque). Na rodovia do Parque são mais 13 Km até a BR 290, entrando em Porto Alegre pela Av. dos Estados, chegando em torno das 22:30 h e indo direto ao bar Cilindradas, um bar temático de motociclismo onde, nas terças-feiras, os companheiros do moto grupo Bodes do Asfalto se reúnem.  Fui até lá para dar um abraço nos irmãos do grupo e conversar um pouco.
Mesmo pilotando à noite, que não é minha preferência, a viagem de volta foi muito tranquila e agradável.

Foram 928,3 Km de estrada, desde sexta-feira, dia 03 até chegar em casa, em Porto Alegre, na noite de terça-feira, dia 07 de abril.


Rota da viagem


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Pelotas em dois dias



Reflexões de uma gaúcha que mora longe
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sábado, 4 de abril de 2015

18º Moto Lagoa (São Lourenço do Sul) e Pelotas.


Sábado, 28 de março de 2015.
Saímos pela manhã, de Porto Alegre com destino à cidade de São Lourenço do Sul, para participar do encontro de motociclismo 18º Moto Lagoa. O moto grupo Bodes do Asfalto, facção Porto Alegre, juntamente com o amigo Humberto que, em breve, também fará parte deste grupo. O ponto de encontro foi o posto de combustíveis Ipiranga – Laçador, na rua Dona Teodora, na saída de Porto Alegre.  Saímos da cidade através da ponte sobre o Lago Guaíba, rumando pela BR 290 em direção ao sul do estado do Rio Grande do Sul.
Rodamos cerca de 17 Km pela BR 290 até chegarmos à praça de pedágio localizada já no município de Eldorado do Sul, onde nos esperavam mais alguns membros dos Bodes do Asfalto. Neste pedágio as motos pagam R$ 5,15.
Logo em seguida continuamos pela BR 116 em comboio até o restaurante das Cucas, distante cerca de 48 Km da praça de pedágio de Eldorado do Sul (65 Km de Porto Alegre), já no município de Barra do Ribeiro. Ali paramos para um cafezinho e uma passada no banheiro. No local estavam inúmeros motociclistas também com destino ao Moto Lagoa. O restaurante das Cucas é um paradouro tradicional da BR 116, nesta região. O local tem uma gastronomia bastante variada, com produtos muito saborosos e com preço justo. O atendimento é bastante bom, ficando apenas a desejar um pouco mais de sorriso por parte do pessoal que trabalha nos dois caixas de cobrança da conta que, acredito, serem os proprietários. Não chega a comprometer o local, pois quando em viagem nosso astral é maior que pequenos dissabores. Talvez o comportamento mais fechado se deva à necessidade de concentração ao trabalho, tendo em vista o grande número de pessoas que por ali circulam. Recomendo muito o local e, em especial, o pão de queijo e as cucas.


Bodes do Asfalto no Restaurante das Cucas

Eu e a Renata, no Restaurante das Cucas

Seguimos nossa viagem pela BR 116 até São Lourenço do Sul, por cerca de mais 135 Km. Já no acesso à cidade, na ERS 265, junto ao posto da Polícia Rodoviária, estava um grande comitê de recepção. Lá chegando fomos direto à praia, banhada pela Lagoa dos Patos, na casa sede dos Bodes do Asfalto, junto ao evento Moto Lagoa. Ali estavam diversos irmãos do moto grupo, muitos com suas esposas ou namoradas. Uma grande festa formada por pessoas com um mesmo ideal, que vai muito além do motociclismo.


Casa dos Bodes do Asfalto, em São Lourenço do Sul
O Moto Lagoa é um evento tradicional do motociclismo do Rio Grande do Sul, estando em sua 18ª edição, que ocorreu entre os dias 27 e 29 de março, sendo promovido pelo moto grupo Guerreiros do Asfalto. Centenas de motociclistas brasileiros, uruguaios, argentinos e chilenos se reuniram, com os mais variados modelos de motocicletas. Foi divulgado pela organização do evento a participação de mais de 200 motoclubes.
São Lourenço do Sul é uma cidade às margens da Lagoa dos Patos, cuja colonização alemã dá uma característica completamente diferente em relação às cidades do sul do Rio Grande do Sul, onde há predomínio da colonização portuguesa e espanhola. A origem do município se deu no final do século XVIII, quando Portugal doou terras às margens da Lagoa dos Patos, aos militares que lutaram na guerra contra os espanhóis. No início do século XIX os moradores da Fazenda do Boqueirão construiram a capela Nossa Senhora da Conceição, ao redor da qual surgiu um povoado que foi o início do município, pertencente à Vila de Rio Grande. Em 1830 0 povoado da Fazenda do Boqueirão foi elevado à categoria de freguesia e separado da Vila de Rio Grande e incorporado à Vila de São Francisco de Paula, hoje Pelotas. Em 1815, na fazenda de São Lourenço, às margens do arroio com o mesmo nome, foi erguida uma capela a São Lourenço.
A colonização alemã data de 1858, quando realizado acordo entre o  coronel José Antônio de Oliveira Guimarães e  Jacob Rheingantz. Em 1884 a freguesia de Boqueirão é emancipada de Pelotas e, em 1890, a sede do município é transferida para São Lourenço, passando a ser cidade em 1938. São Lourenço do Sul foi local de diversas batalhas da Revolução Farroupilha no século XIX, com uma importante participação neste conflito.
A economia do município é basicamente agropecuária tendo, também, o turismo como um ponto bastante forte. O carnaval e o Reponte da Canção, festival de música nativista, também são eventos de bastante destaque. As belezas naturais conferidas pela Lagoa dos Patos faz com que seja uma das mais belas praias da região, sendo a cidade também conhecida como a Pérola da Lagoa. Segundo dados do IBGE, a população de São Lourenço conta com um pouco mais de 43.000 habitantes.

18º Moto Lagoa

18º Moto Lagoa
No final da tarde eu, a Renata e o Humberto fomos até a cidade de Pelotas, cerca de 70 Km de São Lourenço do Sul, onde passamos a noite. No dia seguinte fizemos um passeio até a praia do Laranjal, junto com a amiga e colega Andréa. A praia do Laranjal também faz parte da Lagoa dos Patos e é um local muito bonito e bastante arborizado.
A estrada entre Porto Alegre e Pelotas é de boa pavimentação, sendo o trecho da BR 290 duplicado e, na BR 116 a duplicação está em construção até Pelotas, estando pronto entre Eldorado do Sul e Guaíba, por apenas mais 6 Km. Entre Porto Alegre e Pelotas existem três praças de pedágios, sendo que motos pagam apenas na praça de Eldorado do Sul, sendo isentas nas duas outras (uma no município de Cristal e outra já em Pelotas), porém é necessário passar pelas cabines de cobrança onde é liberada a passagem.
Retornamos para Porto Alegre durante a tarde do domingo, dia 29 de março, após um delicioso almoço em família. Fizemos uma parada no paradouro SIM, na entrada da cidade de Camaquã, que é aproximadamente a metade do caminho entre Pelotas e Porto Alegre (132 Km de Pelotas e 129 Km de Porto Alegre), para tomarmos um café. O local é grande e bonito, porém nada além disso. Não há quase opções de lanches e gastronomia, o que fez com que entendêssemos o motivo de um belo local como aquele estar sempre com pouco movimento. Definitivamente não é um lugar que eu recomende para fazer uma parada, a não ser que necessite gasolina. Nada além de abastecer a moto e, no máximo, ir ao banheiro. Resolvemos, então, seguirmos até o Restaurante das Cucas (já citado anteriormente), onde tomamos um café.

Chegamos em Porto Alegre no final do dia, com cerca de 590 Km rodados nestes dois dias de viagem sobre as duas rodas.

Praia do Laranjal, em Pelotas
Rota

segunda-feira, 23 de março de 2015

Primeira viagem do André



Sábado, dia 21 de março de 2015.
Pela primeira vez meu filho André saiu para a estrada de moto. Foi sua iniciação no mundo das duas rodas, na estrada. Há cerca de dois meses, após conversas e ponderações, resolvemos que a moto para iniciar no motociclismo deveria ser de baixa cilindrada e baixo preço. Ele, quando resolve que quer algo, vai à luta até o fim para encontrar o melhor possível, dentro da proposta. Desta vez não foi diferente. Após uma boa garimpada, acabou por comprar uma Suzuki Yes 125, ano 2011, com baixíssima quilometragem, excelente estado e preço muito em conta. A moto é bem gostosa de andar, dentro do que se propõe. Fiquei surpreso,  positivamente.
Saímos de Porto Alegre na tarde de sábado (eu, na Honda NC 700 X, o André, na Suzuki Yes 125 e o Gaston em uma Honda CBR 600),  com destino a Santo Antônio da Patrulha para tomarmos um café no restaurante Da Colônia, na entrada da cidade. Optamos pela ERS 030, antes passando pelas cidades de Cachoeirinha e Gravataí. Este trajeto já foi descrito em postagem com o título de MORRO DA BORÚSSIA, publicada em 05 de maio de 2014, neste blog.
Após um café no Da Colônia, retornamos para Porto Alegre pela BR 290.
A viagem transcorreu dentro do esperado, trafegando com baixa velocidade na ERS 030 e acelerando um pouco mais no retorno pela BR 290 sem, no entanto, exceder a velocidade máxima das vias por onde passamos. O André manteve o comportamento esperado a um motociclista, sem colocar em risco sua integridade ou de outros, em nenhum momento da viagem.  Cumpriu perfeitamente as combinações feitas antes de sairmos e ouviu atentamente às orientações e dicas dadas por mim e pelo Gaston. No final, entre estrada e os trajetos dentro de Porto Alegre, foram 185 Km junto com meu filho motociclista  neófito.
Foi um passeio muito bom e tranquilo. Confesso que fiquei um pouco apreensivo mas, no fim, muito feliz. Espero, em breve, postar mais viagens com meu filho pelas estradas do Rio Grande do Sul.


Eu e o André

Gaston e André




Na Estrada 100 no Condado de Capão



Dia 7 de março de 2015. 
Saímos (eu e a Renata, na minha NC 700X, a Adriana, de CB 300, o Humberto e o Fabrício, de Triumph Tiger XC 800) de Porto Alegre em torno das 8:30 horas da manhã pela BR 116 em direção à BR 290, em trajeto já relatado em outras postagens aqui no blog. Nosso ponto de encontro foi o paradouro Rota 80, na BR 290 no município de Gravataí. São cerca de 18 Km do local onde acessamos a BR 290, no seu cruzamento pela BR 116.
No ponto de encontro estavam o Antônio e a Nilda (Kawasaki Vulcan 750), o Felipe (HD Road King), o Pires (Suzuki VStrom 650), o Lague e a esposa (Super Teneré 1200).
Fomos pela BR 290, por cerca de 78 Km,  até o município de Osório, onde continuamos pela BR 101, por mais 18 Km, até a ERS 407. Na ERS 407 seguimos por outros 18 Km, passando pela localidade de Morro Alto, até chegarmos na RS 389, também conhecida por Estrada do Mar, no trevo de acesso à cidade praiana de Capão da Canoa. Neste ponto entramos na RS 389 em direção norte, por mais 4 Km, entrando à direita onde, logo em seguida (cerca de 1 Km), está a entrada do condomínio Condado de Capão, local de residência dos amigos Kuze e Dagui.
O local é muito legal. Um condomínio fechado com uma grande infra estrutura e segurança. Muito bem organizado e belíssimo.
Mais tarde chegaram os amigos Adão (Triumph Tiger 800), Magno e Lia, Rolf e Miriam, Matos, Rosane e Rossana e o pessoal de Caxias do Sul, Cavion e Janice (BMW 1200 GS), D’Ávila (BMW 1200 GS) e Sílvia (BMW 800 GS),
Foi um dia sensacional, saboreando um churrasco e com muitas conversas e idéias de futuras viagens. Os amigos Kuze e Dagui prepararam nossa recepção de forma impecável e o Condado de Capão foi invadido pelos predadores do Na Estrada 100.
O retorno no final do dia se deu pelo mesmo caminho, terminando com cerca de 286 Km rodados sobre a moto.








terça-feira, 10 de março de 2015

São Francisco de Paula

São Francisco de Paula

Lago São Bernardo
Saímos de Porto Alegre às 13:56 h do sábado, dia 28 de fevereiro de 2015, em direção à cidade de São Francisco de Paula, na serra gaúcha. Fomos em duas motos. Eu, na minha Honda NC 700 X e o amigo Humberto Gassen, em uma Triumph Tiger 800 XC.
Rumamos pela BR 116 até chegarmos à BR 290, onde seguimos em direção norte, por cerca de 6 Km, onde se encontra o viaduto de acesso à cidade de Cachoeirinha. Seguimos pela principal avenida de Cachoeirinha (Av. Flores da Cunha) por mais cerca de 7,5 Km até a ERS 020. A Av. Flores da Cunha é repleta de pardais. Ao entrarmos na ERS 020 são mais cerca de 93 Km até chegarmos na cidade de São Francisco de Paula.
A ERS 020 é uma rodovia de pista simples, de boa pavimentação e muitas curvas. São poucos os pontos de ultrapassagem segura o que faz com que não se possa andar em velocidade um pouco mais elevada com segurança. A estrada tem um visual espetacular, o que faz com que a baixa velocidade seja mais um motivo para se apreciar a paisagem. Também existem diversos pontos de parada, como restaurantes e pequenas localidades à beira da rodovia. No caminho ainda se passa pela cidade de Taquara.
Chegamos em São Francisco de Paula em torno das 15:50 h , com cerca de 113 Km rodados. Logo na entrada da cidade existe um posto de informações turísticas.
Ao chegarmos na cidade, após tomarmos uma água mineral no restaurante Tertúlia, fomos ao Lago São Bernardo.  O lago é um local de lazer muito bonito, onde se pode fazer caminhadas e outras atividades físicas ou apenas contemplar a paisagem.
Saindo do Lago São Bernardo, fomos até o Parque das 8 Cachoeiras. São cerca de 2,5 Km de distância desde o lago, por uma estrada pavimentada com pedras sendo que, nos últimos 800 m, a estrada não tem pavimentação.

Estrada para o Parque das 8 Cachoeiras
O parque é um local excelente para turismo ecológico, com diversas trilhas e, como diz o nome, oito cachoeiras a serem visitadas. O ingresso no parque é de R$ 15,00 por pessoa, estando aberto das 9:00 h às 17:00 h. O acesso às cachoeiras é feito por trilhas com seu grau de dificuldade informado logo no início. Devido ao adiantar da hora em que chegamos, foi possível visitarmos apenas a primeira das cachoeiras, cahamada de Remanso. A trilha é de cerca de 800 m de caminhada em todo o percurso (ida e volta), sendo considerada de nível fácil. São 400 m de descida pela mata nativa até chegarmos à cachoeira do Remanso, uma queda d’água muito bonita. A volta ao estacionamento é uma subida de cerca de 400 m. O ideal é que se leve roupas leves e tênis para fazer as trilhas. Fiz este pequeno trajeto com as roupas e botas de motococlismo, o que fez com que esta trilha se tornasse sofrível na volta. O parque tem, ainda, opções de hospedagem em cabanas.
Após sairmos do parque retornamos ao centro da cidade onde paramos em no restaurante e pastelaria Eclipse. O local é simples e cumpre ao que se propõe.

Saímos de São Francisco de Paula às 19 horas em direção à Taquara, onde ficamos cerca de uma hora retornando para Porto Alegre pela RS 239. Foram 38 Km até o município de Novo Hamburgo, onde acessamos a BR 116, seguindo até Porto Alegre, com um total de 250 Km rodados.

Trilha para a Cachoeira do Remanso
Roteiro

Cachoeira do Remanso






segunda-feira, 2 de março de 2015

Sinimbu e Monte Alverne



Sábado, 21 de fevereiro de 2015. Eu (Honda NC 700 X) e o amigo Humberto (Ttriumph Tiger 800 XC), saímos de Porto Alegre às 9:56 horas, partindo do posto de gasolina Ipiranga, na rua Edu Chaves, na saída de Porto Alegre. Seguimos até a BR 290 (Free Way), por 3,8 Km, onde acessamos a BR 290 em direção ao sul por mais 2,5 Km, até à BR 448 (Rodovia do Parque). Andamos cerca de 9,7 Km até chegarmos à BR 386, onde seguimos em direção à cidade de Tabaí, por mais 55 Km, aproximadamente. Neste ponto, imediatamente ao passar um posto da Policia Rodoviária Federal, se acessa  a RS 287 em direção à cidade de Santa Cruz do Sul, por mais cerca de 77 Km. Até chegarmos em Santa Cruz do Sul andamos 148 Km desde nossa saída de Porto Alegre, às 11:27 horas.
Santa Cruz do Sul é uma cidade de colonização alemã, com cerca de 127.000 habitantes. No local ocorre a maior Oktoberfest do Rio Grande do Sul. Também é sede do Encontro de Arte e Tradição, maior festival de arte amadora, segundo a UNESCO e sede do Autódromo Internacional de Santa Cruz do Sul. A economia é baseada na indústria do fumo, sendo sede das principais indústrias de cigarros do Brasil.

Santa Cruz do Sul

Em Santa Cruz encontramos o Henrique, primo do Humberto, que nos levou para almoçarmos em um restaurante muito bom, chamado Rancho Grande, localizado na rua Fernando Abott, 663. O valor do Buffet livre é de R$ 17,00, também podendo optar por comida a quilo. A variedade e qualidade da comida é muito boa, chamando a atenção o excelente purê de mandioca.
Saímos de Santa Cruz às 13:13 horas, em direção à cidade de Sinimbu, pela RSC 471. O acesso a esta rodovia se dá na saída de Santa Cruz, ao cruzar a RS 287. Pelo odômetro da minha moto, a distância entre a RS 287 e Sinimbu foi de 20 Km porém, pelo Google Maps, o registro é de 43,9 Km. Resolvi fazer esta observação devido à grande diferença de distância.
Riopardinho
Riopardinho
No caminho para Sinimbu se passa pela localidade de Riopardinho, que nos faz sentir como se estivéssemos no início do século XX, devido às antigas construções alemãs à beira da estrada. A rodovia é muito boa e com curvas muito legais para um passeio de moto. Chegamos em Sinimbu às 13:35 horas. Pelo tempo que levamos desde a saída de Santa Cruz, acredito que a distância marcada pelo Google Maps deve estar equivocada.
Riopardinho
Sinimbu é uma pequena cidade com cerca de 10.000 habitantes, de colonização alemã, cuja economia se baseia na agricultura e pecuária. O clima local é subtropical, com as estações do ano bem demarcadas, apresentando verões quentes e invernos frios. O turismo rural é um dos principais atrativos da região. Paramos em um posto de gasolina para comprarmos água, pois calor e a sede eram intensos. No local havia, além dos trabalhadores do posto, um morador local, completamente embriagado, que puxou conversa conosco sobre motos. Qual nossa surpresa que o mesmo, em seguida, saiu pilotando uma Yamaha Fazer 250. Atitude que repudiamos veementemente, mesmo com toda a simpatia que nos tratou. Lamentável!!!!
Saímos de Sinimbu em direção à Monte Alverne. Para tal, é necessário retornar pela RSC 471 até a RS 287 à esquerda, em direção à Porto Alegre por cerca de 5 Km, até a ERS 418 onde é acessada à esquerda novamente, em direção à localidade de Monte Alverne. A estrada também é muito boa e com muitas curvas.
Monte Alverne é distrito de Santa Cruz do Sul, com cerca de 4.000 habitantes. A localidade possui duas ou três ruas, com um pequeno hospital que atende a população local, porém sem recursos diagnósticos mínimos necessários. Paramos em uma sorveteria chamada Gelados D’Itália. Fomos recebidos pelo proprietário, o Lauri Storch e sua filha, uma jovem estudante universitária de Relações Exteriores. O sorvete, tipo italiano, bastante saboroso aliado à simpatia do Lauri e sua filha, faz do lugar um ponto ideal para uma boa conversa. Ali permanecemos cerca de meia-hora conversando e recebendo informações a respeito do local, além de descobrirmos conhecidos em comum, colegas meus de profissão, que ali viveram. A sorveteria do Lauri fica na rua Dr. Pedro Egger, 1333, um local muito fácil de ser encontrado. Vale à pena parar lá.


Sinimbu

Saímos de Monte Alverne em direção à cidade de Venâncio Aires por uma estrada de terra, sem pavimentação, com curvas, subidas e descidas muito legais. O trajeto, nesta estrada, até a ERS 422 é de 10 Km. Ao chegarmos na ERS 422, voltamos a ter uma rodovia com excelente asfalto que nos conduz até Venâncio Aires por mais 10 Km, aproximadamente.


Monte Alverne

Monte Alverne

Passamos direto por dentro da cidade em direção novamente à RS 287, retornando para Porto Alegre. Ao chegarmos novamente na BR 386, paramos para um café na Casa do Mel, em Tabaí, à beira da rodovia, porém no sentido contrario ao nos o que nos obrigou um retorno pouco quilômetros à frente. O local é muito bom, servindo um café trazido no bule à mesa, muito saboroso, além de lanches diversos. Todos de muito boa qualidade.
Partimos direto para Porto Alegre, onde chegamos cerca das 19:45 horas, com 396 Km rodados.


Estrada entre Monte Alverne e Venâncio Aires
Roteiro

Casa do Mel - BR 386











terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Na Estrada 100 no Rancho Ventania




            Primeiro encontro de 2015 dos amigos motociclistas do Na Estrada 100, no Rancho Ventania, em Osório.


            Os amigos Magno e Lia abriram as portas do Ventania e os predadores do Na Estrada 100 invadiram a propriedade. Um sábado de muita alegria e convívio que nos unem como verdadeiros irmãos.