terça-feira, 15 de maio de 2018

Cazuza Ferreira - Última viagem com a Triumph Tiger 800 XCX



Marcos André dos Santos. Triumph Tiger 800 XCX.
Humberto Gassen. Triumph Tiger Explorer 1200 XC.

Sábado, dia 5 de maio de 2018.
Após passarmos na concessionária Triumph Edisa de Porto Alegre para o tradicional café da manhã, saímos em torno das 11:30 horas pela BR 116, com destino ao distrito de Cazuza Ferreira, no município serrano de São Francisco de Paula.
Embora chegar a São Francisco de Paula seja mais perto pelas ERS 239 e ERS 020, passando pelas cidades de Novo Hamburgo, Parobé e Taquara, o caminho mais curto até o distrito de Cazuza Ferreira é passando pela cidade de Caxias do Sul.
Seguimos pela BR 116 por cerca de 50 Km até a localidade de Scharlau, no município de São Leopoldo, onde acessamos a ERS 240. Continuamos por mais 9 Km até a ERS 122 e por mais cerca de 73 Km até a cidade de Caxias do Sul, onde passamos por dentro da cidade. Existe a opção de não entrar em Caxias, contornando-a por fora pela ERS 122. Saindo de Caxias do Sul passamos por um pequeno trecho de cerca de 10 Km da BR 116 até o acesso à RSC 453, estrada conhecida como Rota do Sol, que liga a serra gaúcha ao litoral do Rio Grande do Sul. Pela RSC 453 rodamos mais 38 Km até o acesso ao distrito de Cazuza Ferreira, no Km 183 da rodovia. Neste ponto, à esquerda da via,  existe um posto de gasolina conhecido na região como Posto do Décio Ramos, sem bandeira de distribuidora de combustíveis. Junto ao posto também há uma lancheria bastante simples e uma borracharia.  Até aqui todo o trajeto percorrido foi de rodovias muito bem pavimentadas.
Logo ao lado do Posto do Décio Ramos está a estrada de acesso ao distrito de  Cazuza Ferreira, distante 25 Km da RSC 453. A rodovia não é pavimentada, o que nos proporciona a alegria da pilotagem off road. O visual da estrada e dos campos da região são muito bonitos, passando-se por diversas fazendas de criação de gado e alguns poucos veículos. Pode-se dizer que os 25 Km de estrada de chão não são difíceis de transpor, sendo um off road bastante leve. Chegamos em Cazuza Ferreira em torno das 15:10 horas, já buscando um lugar para almoçarmos. O local recomendado por um dos moradores a quem pedimos informação foi um estabelecimento com uma placa identificando-o como “armazém e fruteira”, com todas as características da simplicidade dos comércios da zona rural. Ao solicitarmos o cardápio, a atendente nos informou que a única opção seria um cheeseburger. Escolha feita!
Após comermos, fomos dar uma volta pelas poucas ruas. A localidade é muito pequena, contando com um grande terreno vazio, que seria uma praça, e poucas quadras, ao redor das quais estão as também poucas casas do local, sendo muitas bastante antigas e construídas em madeira. Em frente à praça está a igreja. As ruas se resumem a apenas uma ou duas  quadras além da praça e quase todas sem pavimentação. A população estimada é de cerca de 500 habitantes. Está distante 120 Km da cidade de São Francisco de Paula e 70 Km de Caxias do Sul. A vida pacata, as casas antigas e simples, as poucas pessoas e veículos circulando nos dão a impressão de que a localidade parou no tempo, porém nem sempre foi assim. Entre os anos 40 e 60 do século XX o distrito apresentava uma melhor condição devido à extração de madeira e às serrarias que ali existiam. Cazuza Ferreira, na época, teve até um cinema chamado Cine Serraria, que se manteve em funcionamento até o ano de 1968. Ainda existe lá o antigo Hotel Avenida, hoje chamado de Hotel do Campo, construído em madeira. Com o fim da exploração da madeira, a localidade perdeu a sua principal fonte econômica, aos poucos caindo no esquecimento. Até mesmo o pequeno comércio local sofre com a dificuldade em receber mercadorias devido ao difícil acesso, principalmente em épocas de chuva. Hoje o distrito de Cazuza Ferreira tenta passar para o domínio do município de Caxias do Sul. Os argumentos para tal é devido às poucas condições que São Francisco de Paula proporciona ao distrito, sendo Caxias do Sul um município com melhor poder econômico, assim como estar bem mais próximo de Cazuza Ferreira.
Em Cazuza Ferreira a cada dois anos se realizam as Cavalhadas, evento que simula a batalha entre cristãos e mouros ocorrida no ano de 785, na França. Este acontecimento está presente na vida dos moradores da localidade há 120 anos.
Enquanto estávamos parados em frente à igreja para tirarmos algumas fotografias fomos abordados por uma senhora, proprietária do Cantinho do Aconchego que, além de restaurante e cafeteria, também disponibiliza hospedagem. Infelizmente não tivemos a oportunidade de degustar a culinária. O lugar é bastante simples, agradável e, como diz o próprio nome, muito aconchegante. Também conhecemos o Chico, um jovem comerciante proprietário do único posto de combustíveis, oficina mecânica e borracharia locais. Pessoas muito simpáticas e acolhedoras.
O nome Cazuza Ferreira se refere a como era conhecido José Ferreira de Castilhos, tio de Júlio de Castilhos. Entre os anos de 1850 e 1860 Cazuza teria doado terras para construção de uma capela onde hoje é o distrito.
Saímos de Cazuza Ferreira em torno das 17 horas, retornando pela mesma estrada sem pavimento até a RSC 453. Seguimos pela Rota do Sol por 54 Km até o acesso à ERS 020 na localidade de Tainhas, onde entramos em direção a São Francisco de Paula, distante mais 35 Km. A noite chegou ainda na ERS 453, ficando pior após entrarmos em um trajeto de intenso nevoeiro que nos acompanhou até quase a cidade de São Francisco de Paula. A péssima visibilade nos fez cogitar a possibilidade de passarmos a noite por lá, porém não se fez necessário. Em nossos passeio sempre calculamos o tempo e a distância de forma a não pegarmos noite na estrada ou, caso inevitável, que seja próximo ao nosso destino. Desta vez cometemos o equívoco de saírmos muito tarde de Porto Alegre, além de não contarmos com a possibilidade de nevoeiro, o que é bastante comum na região por onde passamos.
Continuamos pela ERS 020 por 44 Km até a cidade de Taquara. A estrada, descendo a serra gaúcha,  é cheia de curvas e com poucos pontos de ultrapassagem o que faz com que seja necessário muita atenção e cuidado, pois se torna uma rodovia bem mais perigosa à noite.
Após Taquara seguimos até Novo Hamburgo pela ERS 239 em uma rodovia duplicada, por 39 Km. Em Novo Hamburgo entramos na BR 116, seguindo até Porto Alegre, por mais cerca de 45 Km. Foram 452,2 Km rodados durante o nosso passeio a Cazuza Ferreira.
A distância dos grandes centros, a simplicidade da vida local e a sensação de estarmos no início do século passado, faz com que Cazuza Ferreira seja um local que transmite muita tranquilidade e paz.
Esta foi a última viagem que fiz com a minha Triumph Tiger 800 XCX. Foram 32 meses onde juntos rodamos cerca de 29.000 Km de muitas alegrias, histórias e  aprendizados. Por onde passamos deixamos um pouco de nós e trouxemos um bocado desses caminhos. Essa moto foi uma paixão à primeira vista quando a conheci, em 2013, ainda com o modelo anterior. Desejo que traga ao seu novo proprietário tantas ou mais alegrias como me proporcionou. Boas rotas, minha preta!!!
Estrada de acesso a Cazuza Ferreira

Estrada de acesso a Cazuza Ferreira

Estrada de acesso a Cazuza Ferreira
Chegada a Cazuza Ferreira

Cazuza Ferreira

Cazuza Ferreira


Cazuza Ferreira

Cazuza Ferreira

Cazuza Ferreira
Lanchinho básico
Cazuza Ferreira

Cazuza Ferreira



Cazuza Ferreira

Cazuza Ferreira

Cazuza Ferreira

Cazuza Ferreira

Hotel do Campo - Cazuza Ferreira

Cazuza Ferreira

Cazuza Ferreira

Cazuza Ferreira

Cazuza Ferreira

Cantinho do Aconchego
Cantinho do Aconchego

Rota



terça-feira, 10 de abril de 2018

Viaduto 13: O mais alto das Américas



Sábado, dia 07 de abril de 2018.
Saída de Porto Alegre em torno das 10:15 horas da manhã. Fomos em um grupo de 9 motos, sendo 6 BMW GS 1200, uma BMW GS 800, uma Triumph Tiger Explorer 1200 XC e a minha Triumph Tiger 800 XCX.
Seguimos pela BR 448, Rodovia do Parque, até a BR 386 em Canoas, trajeto citado diversas vezes aqui  no blog. Após acessarmos a BR 386 rodamos por cerca de 91 Km até o município de Lajeado, onde entramos na ERS 129, à direita da rodovia. A BR 386 é uma rodovia duplicada e com excelente pavimentação. A ERS 129, embora de pista simples, também apresenta boas condições. Continuamos pela ERS 129 por 43 Km onde, no município de Muçun, entramos à esquerda da via em um acesso com pavimento de pedras por mais 1 Km, quando inicia uma rodovia sem pavimentação. Seguindo por cerca de 15 Km por esta estrada se chega à base do Viaduto 13, já no município de Vespasiano Corrêa. Andando mais cerca de 1 Km se chega no alto do viaduto, em um trajeto com duas curvas bastante fechadas, requerendo um cuidado maior. Andei cerca de 188 Km desde o local de onde saí, em Porto Alegre.
O Viaduto 13, também conhecido como Viaduto do Exército, foi construído pelo 1º Batalhão Ferroviário do Exército e inaugurado em Agosto de 1978, fazendo parte da Ferrovia do Trigo, unindo Roca Sales a Guaporé. É o 13º de uma série viadutos que se inicia no centro da cidade de Muçun, também conhecida como “Rainha das Pontes”. Tem 143 m de altura e 509 m de extensão o que faz dele o segundo viaduto mais alto do mundo, perdendo apenas para o Mala Rijeka, na cidade de Podgorica, em Montenegro, com 198 m de altura. É o mais alto das Américas. A ferrovia, sob conçessão da América Latina Logística (ALL), ainda se mantém em atividade e por ele ainda há passage do trem. Os moradores locais contam que existem dois soldados enterrados em uma das colunas, que teriam caído dentro de uma armação do viaduto durante a sua construção, sem nunca terem sido resgatados. Não existe comprovação da veracidade desta história. O que se tem como oficial foi um acidente com um sargento, que caiu de uma altura de 90 metros, mas não dentro do pilar.
Ao chegarmos lá em cima nos deparamos com um túnel, à esquerda, e com o alto do viaduto, à direita, de onde se pode contemplar toda a imensidão e beleza da região emoldurada pela Mata Atlântica,  em uma altura que impressiona. O lugar é muito procurado para a prática de rapel e base-jumping. O túnel é bastante escuro e, após cerca de 200 metros de caminhada se chega a uma abertura lateral de onde se pode observer a mata local. Para caminhar dentro do túnel se deve levar uma lanterna e repelente de insetos, já que tem muitos mosquitos por lá.
O passeio sobre o viaduto e no interior do túnel são proibidos pelas leis de segurança ferroviária, já que não existe qualquer sinalização da proximidade dos trens e seus horários são variados. A murada do viaduto é baixa, o que também produz um risco maior. Mesmo assim o número de pessoas que procuram o lugar é bastante grande não existindo, até então, relatos de acidentes.
Após sairmos do Viaduto 13, retornamos para Porto Alegre pelo mesmo trajeto de ida. No caminho paramos para um lanche no paradouro Rosinha, no Km 373 da BR 386, no município de Taquari. Daquele ponto seguimos direto para Porto Alegre, onde cheguei em torno das 18:35 h, com exatos 363 Km rodados.

Viaduto 13

Viaduto 13

Viaduto 13

Viaduto 13
Viaduto 13

Vista de cima do Viaduto 13

Vista de cima do Viaduto 13

Vista de cima do Viaduto 13

Viaduto 13

Viaduto 13
Túnel

Túnel

Túnel

Túnel

Túnel

Túnel
Grupo

Marcos e Humberto
Grupo