segunda-feira, 11 de março de 2019

Praia Grande e Campos de Cima da Serra




Marcos André dos Santos – Triumph Tiger Explorer 1200 XCX.
Humberto Thomasi Gassen – Triumph Tiger Explorer 1200 XCA

Sexta-feira, dia 08 de março de 2019. Nosso roteiro de viagem era irmos até a localidade de Praia Grande, no Estado de Santa Catarina, distante cerca de 220 Km de Porto Alegre onde passaríamos a noite para, na manhã seguinte, subir a serra que leva aos Campos de Cima da Serra por uma estrada não pavimentada, até a cidade de Cambará do Sul. Programamos o início de nossa jornada para a noite, horário pouco recomendado para para andar de moto. A previsão do tempo era de chuva, o que se consumou antes de saírmos de Porto Alegre.
Já à noite e sob chuva, saímos de Porto Alegre às 19h55min, pela Av. Dos Estados até a BR 290 em direção ao Norte por cerca de 90 Km, passando pela cidade de Osório e acessando a BR 101 por mais mais 88 Km na mesma direção, até a divisa com o Estado de Santa Catarina. Antes, no entanto, paramos para jantar no Restaurante Irmãos Benetti, às margens da BR 101 no Km 02, junto ao posto Ipiranga, no município de Torres, cerca de 32 Km antes de nosso destino daquela noite. O restaurante, já comentado aqui no blog outras vezes, é uma parada obrigatória para quem gosta de uma “a la minuta” bastante saborosa e farta.
Após sairmos do restaurante Irmãos Benetti seguimos por mais 10 Km pela BR 101, passando pela divisa do Estado de Santa Catarina, onde acessamos a via lateral cruzando sob a rodovia e acessando a SC 290, no lado oposto. Por essa estrada rodamos cerca de 22 Km até a cidade de Praia Grande, antes passando por São João do Sul. O caminho foi todo à noite e com chuva em sua maior parte do tempo. O percursso nas BR 290 e BR 101 foi bastante tranquilo, pois são rodovias duplicadas e com boa pavimentação. A SC 290, embora seja uma rodovia de pista simples, também é bem pavimentada, com apenas um pequeno trecho de poucos metros em obras, o que já dá um gostinho do off road que nos esperava no dia seguinte.
Chegamos em Praia Grande em torno das 00h30min de fomos procurar um hotel. Como sempre, não havíamos feito reserva de hospedagem. A pequena cidade tem alguns hotéis no centro e diversas pousadas nos arredores. Pelo adiantar da hora, optamos por procurarmos um lugar no centro da cidade, o que não foi nada difícil. Obtivemos informação com um morador local que nos recomendou o Hotel Sérgio, um lugar muito simples, porém com uma cama razoável e limpo. O chuveiro elétrico em um banheiro pequeno e sem box, espalha bastante água pela peça, porém não chega a invadir o quarto. O café da manhã, incluído na diária, é bastante razoável e sem grandes opções gastronômicas, estando dentro do padrão do hotel. O atendimento é extremamente agradável, com o Sr. Sérgio esbanjando simpatia e cordialidade. O preço é de R$ 80,00 o quarto sem ar condicionado e R$ 115,00 com ar condicionado.
Praia Grande é um município do Estado de Santa Catarina, localizado no sul catarinense e está a uma altitude de 45 m em relação ao nível do mar. Tem uma população aproximada de 7.200 habitantes segundo CENSO de 2010. Parte do Parque Nacional dos Aparados da Serra e do Parque Nacional da Serra Geral estão dentro do município. O apelo turístico é bastante grande, sendo os cânions que circundam o município sua principal atração. Dentre estes, se destacam o Itaimbezinho, Malacara e Fortaleza, onde se pode comtemplar uma paisagem de rara beleza. A economia do município se baseia na agricultura, com produção de banana, fumo, feijão, arroz e hortaliças.
No dia seguinte nos aguardava um trecho de cerca 39 Km de estrada sendo 34 Km sem pavimentação subindo a Serra Geral, entre Praia Grande e Cambará do Sul, já no Estado do Rio Grande do Sul. O dia amanheceu bastante nublado e com previsão de chuva, o que se concretizou antes de saírmos do hotel. Fomos informados que a estrada estava bastante ruim e com muitas pedras.  Abastecemos as motos e baixamos um pouco a calibragem dos pneus para um nível que não ficasse macio em demasia evitando danificar o aro em caso de pancadas da roda contra as pedras, nem muito cheio a ponto de se tornar muito escorregadio. Deixei os pneus da minha moto entre 26 e 28 libras, e foi o suficiente para fazermos o percurso sem maiores problemas.
Logo no início da subida da serra a chuva ficou mais intensa e assim nos acompanhou por quase todo percurso. Cerca da metade do caminho é repleto de pedras e com curvas fechadas. A adrenalina de subir a serra em um off road com chuva é indescritível. A água caindo sobre nós em uma estrada completamente irregular nos faz sentir a superação dos limites. No caminho passamos pela entrada o Parque Nacional dos Aparados da Serra, onde está o cânion do Itaimbezinho, na divisa entre os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com uma altitude de cerca de 1800 metros. Após esse ponto, a estrada apresenta menos pedras porém mais lama, oferecendo outro tipo de pilotagem off road. Ainda tivemos a sorte de encontrarmos uma passagem de água por sobre a estrada devido ao transbordamento de um riacho, fazendo com que o passeio ficasse ainda mais divertido e com mais adrenalina. Chegamos em Cambará do Sul em torno do meio-dia, a 1031 metros de altitude, com a roupa e a alma lavadas. É claro que com toda aquela chuva não podemos apreciar a paisagem fantástica que se escondeu por trás das nuvens. Mas isso é só um detalhe. Em uma postagem do ano de 2014 falo um pouco dos cânions. A rodovia no Estado de SC é a continuação da SC 290 e, já no RS, é a ERS 427.


Após um café quente, seguimos em direção à cidade de São Francisco de Paula distante cerca de 70 Km pela ERS 020. Em um determinado ponto da ERS 020, na localidade de Tainhas, a rodovia é cruzada pela BR 453, a Rota do Sol. Neste ponto se segue à direita pela BR 453 por mais 2 Km, retomando a ERS 020 à esquerda da via em um trevo, de onde se segue até São Francisco de Paula.
Ao chegarmos em São Francisco de Paula paramos para almoçarmos no restaurante Rodeio Serrano,  em um Centro de Tradições Gaúchas, localizado na avenida de entrada. O restaurante é bastante barato (R$ 18,00 o buffet livre), porém com uma comida que deixou muito a desejar.
Saindo de São Francisco de Paula em direção à Gramado continuamos pela ERS 020 por mais 3 Km até a ERS 235 e, nesta, por mais 32 Km até a cidade de Canela e mais 9 Km até Gramado. Após tomarmos um chocolate quente em Gramado para nos aquecermos um pouco do frio, pois quase todo o tempo a chuva nos acompanhou, segui em direção para Porto Alegre enquanto o Humberto permaneceu na cidade para cumprir com uma programação previamente agendada.
Segui pela ERS 115 por cerca de 43 Km até o cruzamento com a ERS 239, no município de Taquara. Depois  mais 38 Km até o acesso à BR 116, no município de Novo Hamburgo. Por esta rodovia foram mais 35 Km até a BR 290 e mais 5 Km até a entrada de Porto Alegre, na Avenida Castelo Branco. Cheguei em casa às 19h10min, com 521,1 Km percorridos desde a saída na noite anterior.
O que faz alguém sair à noite sob chuva, de motocicleta. Passar o dia seguinte inteiro também sob chuva forte, com as roupas encharcadas, passando frio, andando por estradas sem pavimentação e cheias de armadilhas, sem poder observar as belas paisagens do lugar? O que faz andar mais de 500 Km apenas por andar? A resposta é simples: o prazer de pilotar uma moto, de superar seus limites, de estar fazendo o que se gosta, a adrenalina da aventura e a simplicidade de ser feliz.
Chegada a Praia Grande

Praia Grande à noite

Praia Grande

Praia Grande



SC 230
ERS 427

ERS 427

SC 230

ERS 427

Rota

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Serra do Rio do Rastro – Janeiro de 2018.



Esta foi a segunda viagem à serra catarinense, sendo realizada em janeiro de 2018 porém somente postada aqui no blog nos últimos dias de dezembro do mesmo ano. Saliento aqui um erro cronológico de publicações. A primeira foi postada aqui no blog dia 28 de setembro de 2014. Embora o destino tenha sido o mesmo, desta vez o roteiro foi um pouco diferente, assim como o planejamento. Em 2014 fizemos o passeio em dois dias. Desta vez fizemos em três dias. Em novembro de 2018 fiz uma nova viagem à Serra Catarinense, a terceira, também com um roteiro diferente, passando pela serra do Corvo Branco, e já postada aqui.
Sexta-feira, dia 19 de janeiro de 2018. Saímos de Porto Alegre em torno das 17:25 horas, reunidos no posto Shell da Av. Edu Chaves, na saída de Porto Alegre. O grupo inicial estava composto pelos amigos Ricardo (Honda CBR 600), Adriana (Honda CB 300), William (Yamaha MT07), Marcos e Renata (Triumph Tiger 800 XCX) e Antônio e Nilda de carro.
Seguimos pela BR 116 onde, no município de São Leopoldo, o Mauro (Suzuki VStrom DL 650) se juntou a nós. Continuamos pela BR 116 até a localidade de Scharlau, em São Leopoldo, distante cerca de 30 Km desde nossa saída. Neste ponto entramos à esquerda na rodovia RS 240 continuando por 13 Km até a RS 122 e mais 69 Km até o município de Caxais do Sul entrando na BR 453, desviando da cidade, onde paramos para o primeiro abastecimento no Posto Squizato e um breve lance no resturante Rota Sul, no Km 71 desta rodovia. Continuamos pela BR 453 por cerca de 8 Km, acessando novamente a RS 122, passando pelos municípios de Flores da Cunha e Antônio Prado, por 93 Km até chegarmos à BR 116 onde entramos à esquerda em direção à cidade de Vacaria distante mais 19 Km.
Chegamos em Vacaria em torno das 21:40 horas, tendo rodado 244 Km desde a saída de Porto Alegre. As estradas percorridas estão em boas condições de pavimentação e em sua maioria são de pista simples, com exceção da BR 116, das RS 240 e 122 até Caxias do Sul.
Em Vacaria ficamos hospedados no Novo Hotel, localizado no Km 40 da BR 116. Certamente está entre os piores hotéis que já fiquei hospedado. O café da manhã está incluído, porém a qualidade acompanha a do hotel. O único ponto positivo é a higiene. O baixo valor da diária (R$ 120,00 por casal) chega ser uma exorbitância pelo serviço oferecido.
Na manhã seguinte partimos em direção à Ubirici, na serra catarinense, saindo de Vacaria em torno das 9:30 horas. Seguimos pela BR 116 até a cidade de Lages, por cerca de 108 Km. Em Lages entramos na BR 282 andando por cerca de 84 Km até a SC 110. Deste ponto até Urubici são 28 Km por uma rodovia estreita, de pista simples de boa pavimentação, quase sem acostamento e com muitas curvas sensacionais. É o tipo de rodovia que faz a felicidade dos motociclistas.
Chegamos em Urubici às 15 horas, tendo percorrido 220 Km desde Vacaria. Fomos direto para a pousada Arcanjo Rafael (Rua Hipólito da Silva Matos, 285). Um lugar simples, porém de boa qualidade.
Ainda na mesma tarde fomos até o mirante do Morro da Igreja, no Parque Nacional São Joaquim. para tentarmos ver a Pedra Furada, já descrita aqui no blog quando da publicação de 2014. Antes de rumar  para o Morro da Igreja, é necessário pegar uma autorização na sede do ICMBIO, na Av. Pedro Bernardo Warmling. Para chegar até lá se segue pela SC 370, na esquina com a Av. Adolfo Kondler, por 12 Km até a Estrada Geral do Morro da Igreja Morro da Igreja que leva até o mirante, em um trajeto de mais 15 Km. Neste dia não foi possível observar a Pedra Furada devido ao intense nevoeiro. Mesmo assim o visual lá de cima é belíssimo.
Ao descermos do mirante do Morro da Igreja fomos visitar a Cascata Véu da Noiva, cujo acesso está a 6 Km da SC 370 pela Estrada Geral do Morro da Igreja. O acesso até a cascata se dá por uma estrada não pavimentada, distante 800 m da Estrada Geral do Morro da Igreja. No local existe uma pousada e um restaurante. A cascata é uma queda d’água de 62 m de altura em meio da mata local.
Encerramos do dia com 285 Km rodados de motocicleta.
Na manhã seguinte saímos de Urubici em torno das 9:30 h pela SC 110 por cerca de 50 Km até a SC 390 e, depois, mais 38 Km até o Mirante da serra do Rio do Rastro. Após um período de contemplação da paisagem, iniciamos a descida da Serra do Rio do Rastro. São 6,6 Km de descida com as curvas características e com o agravante de vários trechos com pista molhada. A beleza do lugar sempre deixa seus visitantes maravilhados, mesmo aqueles que ali já estiveram outras vezes. Continuando pela SC 390 chegamos à cidade de Lauro Müller, distante 30 Km do mirante, onde entramos na SC 446 andando por cerca de 30 Km até Sideráopolis e seguindo pela SC 445 até Criciúma, por mais 30 Km, acessando a SC 443 e a SC 108 por mais 17 Km até chegarmos na BR 101. Seguimos pela BR 101 por cerca de 160 Km até Osório, já no Rio Grande do Sul, onde entramos na BR 290. Em Osório iniciou uma chuva forte e um intenso tráfego de veículos oriundos do litoral norte do Rio Grande do Sul, regressando para Porto Alegre.
Continuamos pela BR 290, porém o intenso fluxo de veículos nos fez optar por entrarmos na ERS 474, distante 25 Km de Osório, em direção à cidade de Santo Antônio da Patrulha. Nesta rodovia andamos por mais 6 Km até a ERS 030 e, por esta seguindo até os municípios de Gravataí e Cachoeirinha, já na região metropolitana de Porto Alegre.  Por esta via alternativa fugimos do intenso fluxo de veículos da BR 290, porém passando por uma rodovia de pista simples e com uma pilotagem dificultada pela chuva.