segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Expedição 2014 - 6º dia.





Sexto dia: Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2014.
Pela manhã retomamos o ônibus de turismo e fomos à Praça de Mayo, localizada no bairro de Monserrat. Esta é a principal praça de Buenos Aires, sendo centro politico desde o período colonial até os dias de hoje. O nome se dá em relação à revolução de Maio de 1810, que desencadeou o processo de independência das colônias do sul da América do Sul. Ao seu redor estão construções importantes de Buenos Aires, como a Casa Rosada, sede do governo argentino, a Catedral Metropolitana, cujo início da construção se deu em 1692 e o Cabildo, que foi sede administrativa, juridical e prisão, no período colonial. No centro da praça existe a Pirâmide de Maio, construído em 1811, para comemorar o primeiro ano da Revolução de Maio. É na Praça de Maio que se reunem as Mães da Praça de Maio, grupo de senhoras que tiveram seus filhos desaparecidos no período da ditadura military argentina.

Catedral de Buenos Aires

Praça de Mayo - Buenos Aires 

Neste dia optamos por retornar ao Caminito para almoçarmos. Optamos pelo restaurante Parrillada Club Zarate, localizado na rua Enrique Del Valle Iberlucea, 1257. Comida boa e com show de tango ao vivo, com preço de 227 pesos argentinos, cerca de R$ 57,00 por pessoa. Os garçons são extremamente simpáticos com um atendimento muito divertido. Ali não aceitam cartões de crédito, potrém se pode efetuar o pagamento com cartão em um açougue próximo, cujo proprietário parece ser o mesmo do restaurante. Um cara extremamente antipático e arrogante que faz com que não queiramos retornar ao local.
Saímos do Caminito e fomos ao Puerto Madero, que é um centro financeiro e gastronômico de Buenos Aires. O porto foi construído em 1882, pelo engenheiro Eduardo Madero, sendo restaurado nos anos 90 do século XX.
Buenos Aires é uma cidade que vale muito a pena ser visitada.



Puerto Madero - Buenos Aires


Expedição 2014 - 7º dia.




Sétimo dia: Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2014.
Acordamos cedo, já que nosso transfer ficou de nos buscar às 6:15 h. Descobrimos que nunca são pontuais. Chegaram com atraso de cerca de meia hora. Nosso Buquebus estava com horário de retorno para Colonia marcado para às 8:30 h, horário argentino, com horário previsto de chegada às 10:30 h, horário uruguaio de verão. Não saiu no horário, assim como chegou com atraso de cerca de 45 minutos.
Chegando em Colônia buscamos as motos e, após novo reabastecimento (NC fez 23,65 Km/l), às 13 horas partimos em direção à Rosario, na Argentina. Nossa rota era irmos até Fray Bentos, ainda no Uruguai e ali atravessar de volta para a Argentina, saindo na cidade de Gualeguaychú.  Saímos de Colonia pela ruta 1 por 49 Km, até chegarmos à ruta 2, onde a acessamos a nossa esquerda. Nossa primeira parada foi após 132 Km de Colonia del Sacramento, na ruta 2, em um posto de gasolina chamado SUC Rosa Drobandi, na localidade de Jose Enrique Rodo, no departamento de Soriano.  Chegamos na aduana para imigração em torno das 16 horas, com 234 Km rodados desde Colonia del Sacramento. O tempo para fazer a imigração foi em torno de 30 minutos e sem qualquer dificuldade e, mais uma vez, tanto a saída do Uruguai como a entrada na Argentina se dão no mesmo local. Atravessamos a ponte General San Martin sobre o rio Uruguai, que é um local espetacular. Ali tem uma praça de pedágio, já em território argentino, em que motos pagam 20 pesos argentinos, o equivalente a cerca de R$ 5,00.




Seguindo pela RN 136, nossa próxima parada foi em Gualeguaychú para reabastecimento, às 16:10 h no horário argentino,necessitando entrar na cidade, Aqui estávamos com 271 Km rodados desde Colonia e minha NC fez 26,87 Km/l. Continuamos pela RP 16 até a localidade de Gualeguay e pela RP 11 até Vitória onde fizemos mais uma parada para novo reabastecimento, a 109 Km de Gualeguaychú. Aqui a NC fez 26,44 Km/l. Continuamos a viagem pela 174 por mais cerca de 60 Km até Rosario, onde chegamos em torno das 21 horas. O dia foi de cerca de 512 Km rodados. Todas as estradas por onde passamos estavam em condições de pavimentação muito boas, sem qualquer problema de trafegabilidade.

Gualeguaychu

Gualeguaychú
A pousada que ficamos se chama Agrelo Departamentos, localizada na Rua Agrelo, 555. O local pertence ao casal Jose Luiz e Lorena, muito receptivos e simpáticos, com uma grande disponibilidade em colaborar com seus hóspedes. Os proprietários residem no local. A casa era a residência do Jose Luiz que a modificou e transformou em um misto de pousada e aparthotel. Ainda está em reformas o que, no momento, causa algumas limitações. O café da manhã, bastante simples, é servido por uma senhora muito amável. É um lugar com condições de higiene adequadas, camas razoáveis e com boa segurança. As dificuldades porventura encontradas, são superadas com muita facilidade pelo carinho e atenção que os proprietários dispensam aos seus hóspedes. O preço da diária foi de R$ 75,00 por pessoa. Fica a poucas quadras do Portal Rosario Shopping Center.

Expedição 2014 - 8º dia.



Oitavo dia: Sábado, 13 de Dezembro de 2014
Devido ao pouco tempo destinado a ficarmos em Rosário, buscamos alguma forma de fazermos um passeio em que fosse possível conhecermos os principais locais da cidade. Não existe, em Rosário, um ônibus de turismo como encontramos em Buenos Aires. A Lorena, proprietária do hotel, nos indicou um serviço de remis, que é um carro com motorista que faz este tipo de serviço. Nosso motorista foi o senhor Cesar Jose (Remis Rosario, telefones 0341-4533621; 155458979; 152463535). O preço cobrado foi de 150 pesos argentinos a hora de passeio, cerca de R$ 40,00.
Rosario é uma cidade do departamento de Santa Fé, com uma população de aproximadamente um milhão de habitantes. Fica a 306 Km de Buenos Aires e a 401 Km de Cordoba. Seu surgimento vem do século XVIII.
Iniciamos nosso passeio pela zona fluvial, às margens do rio Parana. Ali há uma central de turismo, com excelente atendimento, que pode nos dar todas as dicas de passeios e atividades na cidade. Neste mesmo local está o Parque da  Bandeira, onde está também o Monumento  Nacional a Bandeira, local onde Manuel Belgrano ergueu a bandeira da Argentina pela primeira vez, no início do século XVIII. Próximo ao Monumento da Bandeira está a Catedral de Rosario, datada do século XIX.

Monumento da Bandeira - Rosario - Argentina
Junto à orla do rio Parana, em frente ao Parque da Bandeira, está o monumento aos Caidos das Malvinas, que é uma homenagem aos soldados mortos na Guerra das ilhas Malvinas no ano de 1982, entre Argentina e Inglaterra.  Também ali saem passeios de barco, onde se pode ter uma vista da cidade a partir do rio Parana.  No local ainda existem diversas opções de gastronomia desde restaurantes até pequenos trailers de lanches, que eles chamam “carribar”. Paramos em um destes para comprarmos água, o Carribar Ciudad de Rosario, atendido por pessoas bastante amistosas.
Após sairmos do do Parque das Bandeiras, fizemos um passeio de carro pela cidade, parando para almoçar na Av. Costanera, também às margens do rio Parana. O local é a praia da cidade e, por se tartar de um sábado muito quente, estava repleto de pessoas. Almoçamos no restaurante Carlitos (Av. Costanera, 2730), por indicação do nosso motorista. Optamos por um rodízio de peixes no qual são oferecidos três modalidades de pratos, sendo saladas com peixes, frituras e peixe assado, podendo repetir ao gosto do cliente. O peixe assado, em especial, é fantástico. O preço é muito em conta. Com bebidas pagamos o equivalente a R$ 34,00 por pessoa. Aceitam apenas cartão de débito e dinheiro.
Após o almoço fomos descansar um pouco no hotel, tendo combinado com nosso remis para nos buscar em cerca de duas horas para fazermos um passeio de barco pelo rio Parana. Na hora combinada ele estava lá para nos buscar. Chegando ao local da saída do barco, em frentre à Praça da Bandeira, começou uma tempestade, fazendo com que os passeios de barco fossem suspensos o que acabou por nos proporcionar uma cena belíssima às margens do rio, com a chuva forte e um arco-íris.

Rio Parana - Rosario - Argentina
O passeio com o remis do Cesar Jose foi, sem dúvida, uma grande escolha. O custo total ficou em torno de R$ 45,00 por pessoa. Além do mais, o Cesar é uma pessoa fantástica.
À noite optamos por jantarmos no shopping próximo ao hotel e dormirmos cedo, pois no dia seguinte voltaríamos à estrada.
Durante todo o tempo nossas motos ficaram na garagem do hotel, em total segurança.

Residência mais antiga de Rosario - Argentina

Expedição 2014 - 9º dia.




               Nono dia: Domingo, 14 de Dezembro de
         Saímos de Rosario pela manhã com destino à Termas de Daymán, em Salto, no Uruguai. Pegamos a autopista em direção à cidade de Santa Fé. O caminho  é por uma excelente estrada, com dois pedágios ao custo de 14 pesos argentinos, cerca de R$ 3,50 para motos. Cerca de 20 Km antes de chegar em Santa Fé passamos por um campo de girassóis lindíssimo. Na estrada, dentre os diversos veícuos que passaram por nós, chamou a atenção uma van com pessoas idosas as quais fizeram questão de nos abanarem com um largo sorriso em seus rostos. Situações simples que acontecem na estrada e que não tem preço.
Chegamos em Santa Fé com cerca de 168 Km desde nossa saída de Rosario. Abastecemos as motos e ali conversamos um pouco com algumas pessoas de uma família que estavam nos fotografando. É incrível como o motociclismo chama a atenção de adultos e crianças, gerando conversas e fazendo novas amizades nos locais por onde se passa. Ganhei ali um botton do Club Atletico Unión, também conhecido por Unión de Santa Fe.

Santa Fé



Paramos mais aiante em uma loja de conveniências de outro posto de combustíveis para um lanche antes de seguirmos viagem. Ali conhecemos pessoas muito legais o que fez com que ficássemos um tempo maior do que havíamos programado, pois a conversa estava muito boa. Dentre as pessoas que ali conhecemos estava um motociclista local chamado Jorge, com uma moto dos anos 50, da marca italiana Gilera. Este amigo faz parte da Agrupación Santafesina de Motocicletas Antiguas (A.S.M.A.), com página no Facebook. Também tivemos a oportunidade de conhecer o proprietário do local, que nos mostrou sua recente aquisição, uma Kawasaki KLR 650 lindíssima. Antes de sair, sabedor do botton que eu havia recebido recentemente do Unión de Santa Fe, um torcedor do time adversário, o Club Atletico Colón, me presenteou com o seu próprio chaveiro, do time do coração.

Moto do grupo A.S.M.A.
Seguimos viagem em direção ao Uruguai. Saindo de Santa Fe em direção a cidade de Parana, passamos por uma obra de engenharia fantástica. Um túnel que passa sob o rio Parana, o Túnel Subfluvial Uranga-Silvestre Begnis. A medida que vamos chegando próximo ao túnel, a autopista começa a descer gradativamente. Em pouco tempo já estamos dentro do túnel, sob as águas do rio Parana. Tem uma extensão de cerca de 3 Km, unindo a ilha de Santa Cándida, vizinha a Santa Fe, com a cidade de Parana, capital do departamento de Entre Rios. Foi montado com 37 cilindros de 67 m de comprimento, 10 m de diâmetro e espessura de 50 Cm, a uma profundidade que chega a 30 m sob leito do rio e com um sistema de segurança muito bem elaborado.

Túnel Subfluvial


Seguindo pela RN 18, nossa próxima parada foi na pequena cidade de Vilaguay para reabastecermos, a 183 Km de Santa Fe (NC fez 27,78 Km/l). Descanso, água e gasolina. Para entrar em Vilaguay é necessário sair da RN 18 e entrar na RN 130 por aproximadamente 6 Km.
Retornamos à RN 18 e, em poucos kilometros fomos parados pela polícia rodoviária do departamento de Entre Rios. Após fiscalização dos documentos e uma conversa amigável e divertida com o policial, lhe presenteamos com nossos adesivos e seguimos viagem. A RN 18 é uma estrada muito boa, apenas com um trecho ruim após Vilaguay. Está em obras para sua duplicação, o que fará com que fique ainda melhor.
Passamos pela aduana da Argentina e Uruguai no final da tarde, na cidade de Concordia, ainda na Argentina, onde fizemos a imigração, também bastante tranquila. Mais um pouco de conversas com o pessoal do Uruguai e seguimos para as termas de Daymán, onde chegamos em torno das 20 horas, hora local, com cerca de 8 horas de viagem e 529,5 Km rodados desde a saída de Rosario. O trajeto entre a aduana e Termas de Daymán foi com um pôr do sol magnífico, passando pela ponte do Salto Grande sobre a barragem do mesmo nome, que une as cidades de Concordia, Argentina e Salto, Uruguai.

Chegada em Salto, Uruguai.

Em termas de Daymán ficamos no Apart Hotel El Mirador, um local muito legal. São três andares de apartamentos que acomodam um casal e duas pessoas, com camas e banho muito bons, além de uma higienização impecável. O café da manhã está incluido, nos padrões uruguaios. Não tem garagem fechada mas tem estacionamento na frente. Pagamos cerca de R$ 100,00 por pessoa para ficarmos duas noites. O quarto quádruplo ou duplo saem pelo mesmo preço, o que nos fez optar por dois quartos duplos. O pessoal de atendimento são muito simpáticos e prestativos, exceto pela atendente do café da manhã que não tem qualquer tipo de interação com os hóspedes.
Fomos jantar no em um restaurante ao lado do parque termal municipal, chamado Brisas de Daymán, porém não recomendável, com comida que deixa a desejar e um atendimento péssimo por parte do garcon que nos recebeu. 

Expedição 2014 - 10º dia.




Décimo dia: Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014
As Termas de Daymán estão localizadas no departamento de Salto. É uma estação de águas termais oriundas do aquífero Guarani, que chegam à superfície em temperatura muito elevada sendop, então, resfriadas para que se possa tomar banho nas piscinas por elas abastecidas. Existem dois parques de águas termais, sendo um municipal e outro privado. Fomos apenas no parque municipal. Este tem um preço de 100 pesos uruguaios a diária, equivalente à R$ 10,00, ficando aberto até às 21 horas. Compramos os passes em nossa pousada, recebendo um desconto de 40%, nos sendo cobrado 60 pesos uruguaios (R$ 6,00).
O aquífero Guarani é um grande reservatório de água que abrange o parte do Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. Tem uma extensão de 1.200.000 Km2 , sendo considerado o segundo maior do mundo.

Termas de Daymán
Passamos boa parte do dia no parque, saindo em torno das 14:30 h para almoçarmos. Existem bons restaurantes na pequena localidade, porém com hoários reduzidos o que fez com que tivéssemos dificuldade para encontrar um bom local para comermos. O lugar que melhor nos pareceu foi uma lanchonete da rede La Pasiva, que existe em grande parte do Uruguai. Um bom visual e preços bem acima da média do local. Pedimos quatro entrecots com acompanhamento. Os pratos vieram com excelente apresentação porém, a carne, que era o principal do prato, nem de longe se parecia com entrecot ou, se era, veio de uma vaca tão velha que deve ter vindo na Arca de Noé. Nos serviram uma carne muito dura e muito assada, seca, com muitas fibras nervosas. Sabor péssimo. Sem dúvida, a pior refeição em toda nossa viagem. Péssima e cara. Pagamos cerca de R$ 45,00 por pessoa por uma comida que deveriam pagar para que comêssemos. Infinitamente pior que nosso jantar da noite anterior. Não recomendo em hipótese alguma. Mais tarde, conversando com uma pessoa uruguaia, esta também fez o mesmo comentário a respeito do La Passiva de Termas del Daymán.


Termas de Daymán
Após o almoço passeamos pelas diversas barracas de souvenirs ao redor da quadra principal. O pessoal também parece não ter muita disponibilidade para atender, pelo menos nas que entramos.
Ficamos mais um tempo no parque e, à noite, fomos jantar emu ma pequena parrillada bem em frente ao hotel. Um local muito simples, porem com uma carne excelente, chamado K y M Parrillada e Grill. O restaurante é de um uruguaio chamado Martin, filho de mãe brasileira e que fala bem o português. O próprio Martin é quem atende às mesas e assa a carne no momento em que se faz o pedido. O restante da cozinha fica a cargo de sua esposa, a Karina que, além dos acompanhamentos para a carne, ela faz uma sobremesa maravilhosa chamada falso CHAJA. Eles dizem que o Chaja verdadeiro é uma sobremesa típica uruguaia encontrada em poucos locais e que o deles é uma modificação da receita. Mesmo assim é muito bom. Este foi um dos melhores jantares que tivemos em toda a viagem e com um preço equivalente a R$ 36,00 por pessoa. A prória Karina veio nos cumprimentar à mesa. O local, mesmo nada sofisticado, é muito recomendável.
 
Termas de Daymán

Expedição 2014 - 11º dia.



Décimo primeiro dia: Terça-feira, 16 de Dezembro de 2014O dia amanhceu sob chuva forte. Saímos de Termas del Daymán pela manhã com roupas de chuva. Utilizei as capas impermeáveis dos meus alforges. Utilizei, na viagem, dois alforges laterais e um de banco, da marca Oggio, além de um baú traseiro da Givi. O fato da NC ter seu tanque de gasolina sob o banco do garupa, os reabastecimentos quando com alforges instalados, fica bastante dificultado.
Reabastecemos as motos e seguimos em direção à cidade de Santana do Livramento, fronteira do Brasil com o Uruguai. Fomos pela a Ruta 31 até a cidade de Tacuarembó, sob chuva durante todo o trajeto. É uma estrada muito ruim, com trechos péssimos e algumas curvas. Com chuva a situação fica ainda pior e com maior perigo. Para complicar ainda mais, não existe postos de combustíveis em todo o trajeto até chegar em Tacuarembó. Este foi o pior trecho de toda a viagem e, ao mesmo tempo, o de maior adrenalina. Chegamos em Tacuarembó às 12:30 h, com 230 Km rodados desde a saída de Termas de Daymán. Ali reabastecemos as motos e paramos para um cafezinho. Desta vez a NC fez 25,7 Km/l.
Tacuarembó é uma cidade pequena, com cerca de 50.000 habitantes. É a capital do departamento de Tacuarembó e é atrubuído a ela, de forma incerta, ser o local de nascimento de Carlos Gardel.
Saímos de Tacuarembó em direção à Santana do Livramento pela Ruta 5. A estrada é muito boa, incomparável à Ruta 31. Porém, neste trecho, a chuva ficou ainda mais forte. Eu fiz a escolha errada de não colocar botas para chuva, permanecendo com as botas de motociclismo. O resultado foi pés completamente encharcados. Foram 124 Km até Santana do Livramento, chegando às 15:15 h.
A cidade de Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, faz divisa com a cidade de Rivera, no Uruguai. As duas cidades são contíguas, com a fronteira dos dois países passando pelo centro de uma praça. A passagem pela aduana do Uruguai se faz em Rivera e é muito tranquila. O mais difícil é localizar a aduana, já que é dentro da cidade. Ainda em Rivera existe uma zona franca de comércio, com diversos free shops.
Em Santana do Livramento ficamos hospedados no Hotel Jandaia, localizado na Rua Uruguai, 1542. É um excelente hotel. A diária do apartamento quádruplo sai por R$ 299,00 mais R$ 9,00 de estacionamento por cada moto. O total  ficou em R$ 326,00, ou seja, R$ 81,50 por pessoa.
À noite jantamos em uma churrascaria brasileira. Foi nosso último jantar juntos nesta viagem.  Finalmente comida brasileira.

Último Jantar - Santana do Livramento - RS

Expedição 2014 - 12º dia.



Décimo segundo dia: Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2014 – Último dia
Pela manhã, após o café, eu e o Álvaro saímos a procura de uma oficina para mais uma ajuste na correia da XT 600. Encontramos a Flaco Motos (Rua Tamandaré, 1661 – Santana do Livramento). O Flaco é o proprietário da oficina. O cara é muito gentil e atenciosio e prontamente nos ajudou. Aproveitei para lubrificar a corrente da minha NC. Ao lado da oficina do Flaco tem uma loja de peças para motocicletas, também muito bem atendida, a Senna Motos.

Santana do Livramento / Rivera - Fronteira Brasil / Uruguai
Mais tarde fomos aos freeshops para algumas compras e, no início da tarde saímos de Santana do Livramento. Seguimos pela BR 158 por cerca de 40 Km, até chegarmos à BR 293. Neste ponto nos despedimos do Jorge e do Renan, que seguiram por esta rodovia para Pinheiro Machado, por mais 237 Km. Permanecer juntos na estrada nos faz fortalecer os laços de amizade e a hora da despedida é sempre um momento alegre e triste ao mesmo tempo. A alegria vem da certeza de termos cumprido nossa meta com muito êxito e com momentos felizes. A tristeza, é claro, vem pela despedida dos amigos. Mas, como citou Richard Bach, é necessário a tristeza da despedida antes da alegria do reencontro.

Despedida na estrada
Eu e o Álvaro seguimos pela BR 158 até BR 290, na cidade de Rosário do Sul, por mais cerca de 66 Km. Após uma parada para um lanche em um restaurante à beira da estrada em Rosário do Sul, seguimos pela BR 290 em direção a Porto Alegre por mais 388 Km. Ainda fizemos mais duas paradas para reabastecimento das motos e um cafezinho.
Os últimos quilômetros, antes de chegarmos em Porto Alegre, foram com chuva. Mesmo assim, a cada quilômetro que nos aproximávamos, aumentava cada vez mais a vontade de que esta viagem não terminasse. A sensação de estar sobre a moto, com o vento batendo de frente, fazendo parte da natureza e acompanhado pelos irmãos que a vida nos proporciona é algo que não tem como ser descrito. Para saber, só sentindo. Para completar a beleza da viagem, a natureza nos presenteou, nestes últimos quilômetros, com um arco-íris a nossa frente e uma visão de Porto Alegre com o sol iluminando a cidade por entre nuvens escuras de chuva. Algo fantástico.
Chegamos em Porto Alegre em torno das 20 horas, com 3187 Km rodados desde a saída, no dia 06 de dezembro. Na manhã seguinte o Álvaro seguiu em direção à Curitiba, onde chegou no final da tarde e, no dia seguinte foi até São Paulo.
Esta viagem foi muito mais do que apenas ir a lugares distantes sobre nossas motos. Com certeza foi a celebração de amizades que surgem sem sabermos o motivo (se é que existe motivo) e se solidificam a cada momento. A convivência na estrada não tem preço.
Conheci o Jorge quando tínhamos 9 anos de idade, em Pinheiro Machado. Quando crianças, brincávamos com nossas bicicletas como se estivéssemos sobre motos em aventuras e viagens imaginárias que apenas a mente infantil permite sonhar. Por coincidência, ou não, minha bicicleta era vermelha, como minha moto. Hoje, após 40 anos, novamente estamos brincando juntos. O Jorge me presenteou, há 13 anos, me convidando a ser padrinho do Renan. Hoje é um menino com maturidade acima de sua idade, tendo passado por toda a vigem com um comportamento digno de um motociclista. Aguentou tudo, até mesmo as bricadeiras com ele, com bom humor e um sorriso no rosto e raríssimos momentos de atitudes de um menino de 13 anos. Já o Álvaro, nos conhecemos há 14 anos em Búzios, no Rio de Janeiro durante uma viagem de férias. Desde lá ficamos amigos e, na primeira vinda dele a Porto Alegre, em 2003, apesar de eu tê-lo levado a fazer seu primeiro almoço na capital gaúcha em uma lanchonete MacDonald’s, nossos laços de amizade ficaram cada vez maiores. Hoje é um irmão.
Por fim, terminamos nossa Expedição 2014. Agradeço a todos que nos acompanharam pelo WhatsApp e Facebook. O grupo foi grande e a torcida também.
Já estamos planejando a 2015. 

Chegada em Porto Alegre